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Motoristas femininas são destaque no sistema de transporte do DF

Foto: Arquivo pessoal

Além do transito da cidade, mulheres que dirigem ônibus pelas ruas de Brasília vencem vários desafios.


Não é de hoje que as mulheres se destacam por ocupar os mais variados cargos no mercado de trabalho. E já não é mais segredo para ninguém que elas podem atuar com bastante competência em todos os setores. Mas e quando uma determinada ocupação ainda é conhecida como “emprego de homem”? É o caso da profissão de motorista de ônibus.

No Distrito Federal, elas ainda são poucas, mas chamam bastante atenção por onde passam. Transportando centenas de pessoas todos os dias, as motoristas se deparam com diversas situações à bordo dos ônibus de Brasília.

Cheila Sousa é faz parte do quadro de funcionários da Viação Pioneira. A profissional de 38 anos já foi monitora de creche, promotora de vendas, promotora de cartões de crédito, babá, empregada doméstica. Mas foi em 2001 que ela descobriu a paixão pelo volante, quando ingressou como cobradora na antiga Viação Planeta. Cheila completou 16 anos atuando como rodoviário, sendo 8 deles como motorista.

Ela acorda bem cedinho, se arruma para chegar às 5 da manhã no seu ponto de partida, o terminal em Santa Maria. Cheila trabalha na linha 2302 (TR26), que liga Santa Maria à Rodoviária do Plano Piloto pelo sistema BRT. A motorista conta que por ser do sexo feminino, o desafio acaba aumentando. “Faço o meu melhor, pois ser uma mulher ao volante me dá uma responsabilidade muito maior. O resultado desse cuidado é que a maioria dos passageiros me elogia, liga na empresa para falar bem de mim e em todo o meu tempo de trabalho, nunca tive um acidente”.

Cheila tem três filhos, sendo o mais novo de 3 anos. As mais velhas falam com orgulho da profissão da profissão da mãe. “Minhas filhas contam para os amigos que sou motorista do BRT e eles acham o máximo. Perguntam para elas se eu posso dirigir qualquer veículo e elas  dizem que sim. Eu gosto desse reconhecimento”, relata.

E não são apenas os filhos que se referenciam em Cheila. “Várias mulheres que vão tirar carteira de motorista para carros de passeio me perguntam como faz para passar nos testes e eu vou e dou dicas para elas”, conta Cheila. “Quando elas são aprovadas, me procuram para falar do resultado”, continua.

O preconceito se encontra em algumas situações, principalmente vindo de outras mulheres. “Elas parecem não saber da capacidade que a mulher tem de chegar a certos cargos”. Contudo, segundo ela, os elogios superam as críticas, em especial quando os passageiros são idosos. Há algumas situações onde os homens passam dos limites com cantadas, que são rapidamente ignoradas. “Vida que segue”, afirma Cheila.

Mas Cheila não é a única motorista feminina na empresa. Débora Manzam, de 41 anos, também trabalha transportando passageiros entre Santa Maria e o Plano Piloto. Ela divide seu dia entre a família, a faculdade de enfermagem – que será concluída este semestre – e o trabalho na linha 252.1.

Débora iniciou a vida profissional como cobradora, mas devido às dificuldades de progressão na empresa, chegou a abandonar a atividade, atuando como secretária. “Antigamente era muito mais difícil para a mulher chegar à posição de motorista”, relata. Durante esse tempo, Débora tirou a habilitação necessária para dirigir ônibus. Com o documento, a profissional pode assumir o cargo de motorista na empresa Vian, que fazia linhas entre o Distrito Federal e as cidades goianas no Entorno.

“Ser motorista está no meu sangue. Meu pai dirigia caminhões e ônibus e eu sempre gostei deste universo”, conta Débora, falando sobre sua paixão por veículos pesados. “Eu não sou uma pessoa muito alta, então as pessoas se surpreendem por eu ser motorista. Elas esperam que as pessoas que dirigem sejam homens grandes. E com essa imagem na mente, as mulheres se sentem incapazes de dirigir um carro maior”, comenta.

Mas nem tudo são flores no dia a dia de Débora. Ela conta já enfrentou situações onde os motoristas já a ofenderam por ser mulher dirigindo. “Outro dia estava trabalhando quando um outro motorista parou sem sinalizar na faixa em que eu estava. Eu dei o sinal de luz para ele sair da frente, mas ele não saía. Quando o cara percebeu que era uma mulher ao volante, fez questão de dar ré no carro e me xingar”, descreve.

A parte boa da profissão, segundo Débora, é o carinho dos passageiros. “Eu gosto muito do que eu faço e aqui a gente faz muitas amizades. No horário que eu trabalho, sempre pego os mesmos passageiros, e eles sempre conversam comigo, perguntam sobre mim, trazem lanche. Eu amo”, diz.

De acordo com o diretor administrativo de recursos humanos da Viação Pioneira, Fernando Elói, existem seis mulheres ao todo atuando como motorista na empresa. “Todas as pessoas, independente do sexo, que querem ser motoristas na empresa passam por um tempo trabalhando como manobristas, onde ela dirige os carros dentro da nossa garagem. Durante esse período, o candidato ao cargo de motorista é acompanhada por instrutores”, afirma. Contudo, de acordo com Elói, não existe uma procura em massa por parte das mulheres. “A empresa ajuda os colaboradores que tem a carteira B a progredir com a categoria da CNH, encaminhamos para cursos no SEST-SENAT, tudo para qualificar melhor nossos motoristas”, declara o diretor.

Redação

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