Comemorativo Especial

Dia do cobrador: conheça a rotina dos profissionais que trabalham nos ônibus do DF e Entorno

Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

Cobrador, trocador… Independente do nome, ele é o profissional responsável por receber, dos passageiros de um ônibus, o valor correspondente à passagem. E na maioria das ocasiões, ele também acaba se tornando um auxiliar do motorista. Contudo, não há uma dia específico em que esse profissional é lembrado. Em alguns lugares, essa data é celebrada no dia 19 de agosto enquanto que em outros, a comemoração acontece no dia 15 de janeiro.

Uma das empresas que reservou essa terça-feira (15/1) para lembrar dos cobradores foi a Viação Pioneira. A companhia usou suas redes sociais para homenagear esses profissionais, que foram recebidos com faixas de boas vindas nas garagens e pontos de apoio.

Foto: Facebook/Reprodução

O dia a dia do profissional não é fácil. Todavia, a vantagem é o contato diário com pessoas diferentes. É o que diz a cobradora de ônibus Dorinha Silva. Dory, como é mais conhecida, trabalha na empresa Piracicabana. Antes de ingressar na viação, em fevereiro de 2014, Dory trabalhou como atendente de telemarketing, depiladora e maquiadora. Ela passou pouco mais de um ano desempregada antes de assumir o cargo.

A moradora de Sobradinho II conta que alguns passageiros são tão próximos a ponto de estabelecer um elo que vai além da catraca do coletivo. Ela relembra o caso de uma passageira do Cruzeiro, que ela conheceu enquanto fazia uma linha que percorria a cidade. “Ela marcou tanto minha vida pois foi na época em que estava grávida”, recorda Dory. A cobradora revela que perdeu o contato com a senhora e sente saudades. “Eu sou doida para que ela veja meu filho”, comentou.

Porém, foi na primeira linha em que trabalhou, a 158.1 (Rodoviária do Plano via W3 Sul / Cidade Estrutural), em que Dory viveu uma situação marcante e que assusta profissionais do coletivo e passageiros: um assalto. Segundo ela, um menor entrou no veículo e começou a mexer na mesa. Em seguida, ameaçou a profissional.

“Depois ele começou a mexer em tudo, inclusive no bolso da minha camisa, que fica perto do meu seio e isso me incomodou bastante”, relata. Depois que o ônibus seguiu para o distrito policial e a ocorrência foi registrada, foi que ela se deu conta do ocorrido. “Foi lá que caiu a ficha e eu comecei a chorar”, recorda.

Mas nem só de situações traumáticas vive um coletivo. “Outro dia um casal entrou no ônibus, pagou a passagem e sentou no fundão. Quando penso que não, ela tá socando o cara. Deu uns três tapas na cara dele”, conta Dory. Mas a reconciliação dos ‘pombinhos’ veio em seguida, quando desembarcaram do veículo. “Eles desceram do ônibus, conversaram e depois se beijaram”.

Dory Silva. Foto: Facebook/Reprodução

Sem a bilhetagem eletrônica nas linhas, o Entorno do DF também acaba dependendo bastante da atuação do cobrador de ônibus. Manuela Cassimiro é moradora de Luziânia e trabalha na empresa da cidade que faz linhas para o DF, a CT Expresso. Ela entrou no ramo em 2012 na Viação Anapolina (VIAN) por intermédio do pai, que trabalhava na empresa. “De início não gostei muito, porém, com o passar do tempo, despertou meu interesse não só na área, mas também comecei gostar dos carros”, conta.

Manuela trabalha na linha 7001, que sai do município goiano em direção à Rodoviária do Plano Piloto. Ela sai de casa às 15h e só chega próximo da meia-noite. Além dos assaltos, Cassimiro lista como dificuldades os acidentes de trânsito e alguns passageiros “enjoados”. “Apesar das dificuldades que a gente encontra no dia a dia, gosto muito do que faço”, afirmou.

Por circular durante a noite, Manuela relata que o cuidado tem de ser redobrado. “Temos de ficar mais atentos às paradas e identificar bem o passageiro para não pegar um ladrão”, diz Cassimiro. Os assédios também fazem parte da rotina. “Quando a situação é discreta, eu finjo que não entendi ou não vi. Mas quando é uma coisa mais séria, aí você tem de ter uma reação mais dura”, comenta.

“Uma vez o rapaz foi me dar o dinheiro da passagem e pegou no meu braço, acariciando, e ainda deu uma cantada muito depravada. E eu disse a ele que se continuasse a falar ou tocar em mim, eu ia quebrar cada dente que ele tinha na boca”, disse Manuela.

Mas as amizades que Cassimiro faz durante as viagens superam as coisas ruins. “Os meus passageiros são gente boa”, elogia. “Tem amizades que você faz ali dentro e não esquece. Tenho amigas da época em que eu rodava em Taguatinga e tenho contato ate hoje. E também as pessoas que pegam o ônibus da linha em que trabalho. Sempre tenho amizade com a maioria”, conta Manuela.

Manuela Cassimiro. Foto: Facebook/Reprodução

Higor Viana

Jornalista formado desde 2017, atua como repórter e assessor de imprensa. Editor-chefe do site Bsb Mobi.

Comentar

Clique aqui para comentar

Deixe uma resposta