Especial

Dory Silva: “Meu filho é minha motivação diária”

Foto: Arquivo pessoal

Cobradora de ônibus do DF conta ao BSB Mobi como é a sua maternidade


A maternidade é um divisor de águas na vida de toda a mulher. E assim também foi para a cobradora de ônibus Dorinha Silva Gregório. Dory, como é mais conhecida, se inscreveu em um concurso organizado Viação Piracicabana DF, onde trabalha. A companhia pediu que as candidatas enviassem uma foto e uma frase. O material foi posteriormente compartilhado pela empresa em suas redes sociais e Dory acabou sendo a mais votada.

Pela participação no concurso, Dory ganhou da companhia um kit da O Boticário, um dia de beleza e um curso de automaquiagem. Mas ela diz que o maior presente foi a vida quem lhe deu: ser mãe.

Nascida no DF, a cobradora contou ao BSB Mobi que sua infância foi marcada pela perca de sua mãe, um dia depois de completar 12 anos. Dorinha diz que isso lhe criou um trauma, pois não lembra dos momentos que teve com ela. “A minha fixação pela maternidade veio da perca da minha mãe”, relata. “Mesmo casada eu me sentia muito sozinha e tal, não sei explicar.”

Montagem feita por Dory Silva com uma foto antiga de sua mãe, onde é possível ver semelhanças entre as duas. Foto: Arquivo pessoal

“A data de dias das mães sempre foi muito complicada”, comenta Dorinha. A situação só mudou quando soube que estava grávida. Mas até chegar à maternidade não foi um caminho fácil. Casada há seis anos, ela e o esposo decidiram, no segundo ano de matrimônio, que era a hora de ter um filho.

Porém, foram muitas tentativas sem sucesso. Nesse período, ela chegou a fazer testes de gravidez por quatro vezes, os quais apontaram resultado negativo. “Eu desejava tanto ser mãe que eu fiquei até neurótica e meu marido pedia para eu ficar calma”, relembra. Ela diz que seu esposo, Thiago Gregório, chegou a cogitar a possibilidade de algum dos dois ter problemas de fertilidade devido aos sucessivos fracassos.

Ela estava se conformando com a suporta esterilidade e resolveu focar nos estudos, iniciando uma graduação em enfermagem. Até que chegou um momento em que veio uma situação suspeita. “Chegou um tempo que minha menstruação estava atrasada há 14 dias”, comenta. Foi quando sua cunhada sugeriu que ela fizesse exames e assim aconteceu. Testes caseiros, de farmácia e o exame de sangue confirmaram a notícia: Dorinha seria mamãe. Mas a ficha realmente caiu após o primeiro ultrassom, onde ela pode ouvir o coração do seu filho.

A partir daí foi só emoção. Isso a inspirou para escrever poemas. “Escrevo hoje lacrimejando, pensando em você, no teu sorriso lindo, em poder te ver crescer”, diz um trecho de um texto escrito por Dory, que acreditava estar grávida de uma menina, a qual seria batizada “Polyanna”.

Mas ao quinto mês de gestação ela descobriu que o bebê que ela esperava era um menino. Sabendo disso, Dorinha deu sequência em suas composições. “Mas o maior amor de todos será o meu, pois foi gerado em meu ventre. É o pedaço do céu que veio para mim, tenho por ti um amor sem fim”, diz outro texto, já direcionado a Adam, seu filho.

Dorinha chega a se impressionar com uma situação vivida no casamento de sua melhor amiga. “Eu sempre falei ‘amiga, no dia que você casar, eu vou pra sua festa grávida'”. E foi assim que aconteceu.

Dorinha compareceu grávida ao casamento de sua melhor amiga, assim como comentavam. Foto: Arquivo pessoal

O nascimento de Adam também foi descrito por meio de versos. “E naquele momento mágico o choro cessou, nosso amor se encontrou. Foi ali que me vi mulher, nasceu em mim uma força. Percebi nos teus olhos o sublime poder do amor”, escreveu Dory em 10 de abril de 2016, quando seu filho veio ao mundo.

Hoje em dia, Adam tem três anos de idade e é o xodó da mãe. “Meu filho é minha motivação diária”, se declara. Ela diz que o filho tem “estética do pai e o DNA da mãe”, referindo-se à personalidade do garoto, semelhante a sua. “Quando vou fazer uma zueira, ele cola com a mamãe. É muito doido”, afirma.

Adam Gregório e o pai, Thiago Gregório. Dory afirma que ambos são semelhantes apenas fisicamente. Foto: Arquivo pessoal

E não é apenas por Adam que Dory tem afeto. Alguns passageiros que viajam no ônibus da linha 505.5 (Condomínio Uberaba / Digneia / Nova Colina / Sobradinho I e II / Morro do Sansão), onde ela trabalha, também são tratados como filhos. “Eu vejo eles todo o santo dia. E tem que me cumprimentar, porque mamãe é mamãe”, brinca. Dorinha mantém contato com os filhos do coração, todos eles jovens, via WhatsApp. É por meio do aplicativo que ela questiona os garotos sobre uma eventual ausência nas viagens.

Mas uma dessas filhas tem um carinho todo especial. Ana Ketelin não é passageira do 505.5, mas tem convivência com Dory desde que tinha quatro anos de idade. Hoje ela tem 12.

Dory e Ana Ketelen se conheceram em um casamento, quando esta participou como “dama de honra” da cerimônia. “Foi amor à primeira vista”, afirma. Depois, Dory descobriu que foi criada junto com a mãe de Ana Ketelen durante a infância.

“Eu tenho um amor por ela como se fosse minha filha de sangue”, conta Dory, ao dizer que não é possível ver a menina todos os dias, mas está por dentro do cotidiano da garota.

“Dorinha ela é uma boa mãe, ela é legal, divertida, sempre alegre”, afirma a adolescente sobre a mãe de criação. Graziele, mãe biológica de Ana, sente “gratidão” por Dory. “A considero como a madrinha da minha filha”, complementa.

Dorinha e Ana Ketelen. Foto: Arquivo pessoal

Higor Viana

Jornalista formado desde 2017, atua como repórter e assessor de imprensa. Editor-chefe do site Bsb Mobi.

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