Especial Opinião

O que esperar de um fim do DFTrans?

Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Governador enviou esta semana à Câmara Legislativa um projeto de Lei que transfere a outros órgãos as atribuições do departamento


A polêmica decisão de extinguir o órgão DFTrans voltou aos holofotes esta semana. Na última quarta-feira (15/05/19), o governador Ibaneis Rocha (MDB) enviou à Câmara Legislativa um projeto de Lei que extingue a atual formação do departamento. A atitude veio quase um mês após do chefe do Executivo afirmar que o departamento era uma “central de corrupção”.

Segundo o texto da proposta, as atribuições do órgão ficam com uma subsecretaria filiada à Semob, que ainda seria criada. Já a bilhetagem automática, alvo de tantas reclamações, seria operada pelo Banco de Brasília (BRB). Mas, será se a extinção do departamento teria resultados práticos?

A análise é que a substituição do DFTrans por uma subsecretaria tem um efeito mais simbólico. É como se fosse um recado passado pelo governador de que vícios de gestão não serão tolerados. O mesmo recado foi passado quando o titular do Buriti exonerou a diretora do Hospital Regional de Sobradinho, Cláudia Gomes dos Reis. Beatriz Silva, de 19 anos, procurava atendimento na unidade no último dia 11 de maio e teve o socorro negado. Poucas horas depois, a jovem veio a falecer.

Voltando a falar do assunto DFTrans, não há tantas perspectivas que a gestão de linhas, fiscalização do sistema de transporte, que ficaria com essa subsecretaria, sofra grandes mudanças, pois o problema não está aí. Existe um corpo técnico capacitado que seria reaproveitado pela nova estrutura do GDF.

A grande mudança vai ficar com a gestão da bilhetagem automática. A tomada do serviço pelo BRB gera um certo otimismo quanto a ampliação do Sistema de Bilhetagem Automática (SBA). Hoje em dia, apenas 33 locais fazem recarga e aquisição de cartões automáticos, o que é pouco frente ao sistema atual. A expectativa é que as agências bancárias e postos de conveniência espalhados pelo DF façam a recarga, o que é positivo para o passageiro.

A esperança que resta ao usuário do já tão sofrido sistema de transporte do DF é que a mudança seja benéfica. A transformação não pode ser apenas em um organograma. A população precisa ter como resultado um serviço fácil e acessível.

Higor Viana

Jornalista formado desde 2017, atua como repórter e assessor de imprensa. Editor-chefe do site Bsb Mobi.

Comentar

Clique aqui para comentar